Para muitos não é novidade que encontrei na prática de yoga o caminho para o meu equilíbrio interno e externo. Não tenho divulgado muito acerca das práticas físicas, mas todas as palavras que escrevo fazem parte da minha [longa] jornada de crescimento.

Ao longo da minha formação intensiva de Yoga na Índia, ouvi muitas vezes estas três palavras chave, “balance, harmony and peace”.

E acho que se resume mesmo a isto: encontrar o equilíbrio, harmonia e paz no nosso dia-a-dia em todos os aspetos.

Acrescento que ainda observo algumas pessoas com a intenção de praticar yoga, porque querem encontrar a calma que observam noutras pessoas à sua volta e para um melhor desempenho físico noutras atividades, o que é bom. E tudo isto é válido. Mas a prática de yoga não se resume a isso.

Quando entras sem tabus e com entrega nesta filosofia de vida, entras também noutras camadas de ti. Vais a outros encontros e decobres coisas que [talvez] não sabias. Quando pisas o teu tapete de yoga, dás início a uma nova jornada. É como se entrasses noutro Mundo quando abres a tua mente e deixas fluir.

Existem 8 pilares no yoga e os asanas [porturas] são apenas o terceiro. Todos os outros são também tão importantes quanto a prática física. Até porque são precisos para a prática física mais profunda e dedicada. Falarei a fundo sobre estes 8 pilares num outro post.

Por agora, vou-te contar uma pequena história pessoal. Eu fiquei sem menstruar em fevereiro deste ano [por diversas razões que eu tenho consciência – o que é positivo]. Fiz algumas terapias, mas sem resultado [até porque sei que não fui a fundo o suficiente]. E foi também em Feveiro/Março que deixei a minha prática completa e disciplinada de yoga, porque em Julho lesionei-me e tive que parar, ainda hoje não estando recuperada a 100% tenho que, diariamente, escutar o meu corpo e perceber os meus limites. Como sabes, o teu corpo é sábio e diz-te quando deves parar e descansar. E cada vez mais tenho aprendido a escutar o que ele me diz. A explorar. A perceber até onde posso ir. A observar. Sem julgamento.

No 8 intenso dia na Índia eis que o meu sangue desceu. Nestes primeiros 8 dias de integração, adaptação e mergulho no desconhecido, foram muitas as limpezas. Saí da zona de conforto com todas as minhas células. Todos os dias comecei com uma limpeza do organismo, respirações profundas e [mais] conscientes, meditações que nos obrigam a reflectir [mesmo] e práticas físicas intensas. O meu corpo mental e emocional começou a desintoxicar e consequentemente o meu corpo físico sentiu a diferença.

É um facto que eu não partilho contigo muitas posturas de yoga nas redes sociais, porque tenho feito o meu trabalho individual, mas a verdade é que tudo o que partilho faz parte da filosofia de Yoga. Chama-se Karma Yoga, o serviço ao outro.

A prática de Yoga trabalha em todos os corpos do ser humano: físico, energético, mental, emocional e espiritual.

Li algures que o yoga não cura a vida, mas apresenta um método comprovado para aprenderes a lidar com ela.

Swami Sivananda Saraswati explica o yoga como a “integração e harmonia entre sentimento e necessidade de pensamento, ou a integração entre cabeça, coração e mão” [mente, emoções, ações].

A limpeza e o fortalecimento físico e mental são uma das realizações mais importantes do yoga, o que o torna tão poderoso e eficaz, uma vez que trabalha com os princípios holísticos de harmonia e unificação. De acordo com médicos cientistas, a terapia da yoga é bem-sucedida por causa do equilíbrio criado nos sistemas nervoso e endócrino, que influencia diretamente todos os outros sistemas e órgãos do corpo.

No século XXI, além das necessidades que temos enquanto ser humano, os princípios subjacentes do yoga fornecem uma ferramenta real para combater o mal-estar social. Numa época em que o mundo parece estar perdido, rejeitando os últimos valores sem poder estabelecer os novos, a filosofia do yoga fornece um meio para as pessoas encontrarem o seu desejo de se conectar com seu verdadeiro eu.

Assim, o yoga está longe de ser apenas um exercício físico. É uma ajuda para estabelecer uma nova percepção do que é real, do que é necessário e de como nos estabelecermos num modo de vida que abraça realidades internas e externas.

Com Amor
Carina

Referências bibliográficas:
SARASWATI, S. S. Asana Pranayama Mudra Bandha. Yoga Publications Trust, Munger, Bihar, India. 2013

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