Todos nascemos de um pai [espermatozoide] e de uma mãe [óvulo], que se juntam e geram um embrião que se desenvolve em feto e depois num lindo bebé. E esse pai e essa mãe por sua vez nasceram de outro pai e de outra mãe. São, portanto, muitas gerações que ficam registadas no nosso DNA.

Quando nasces és um ser feito apenas de uma camada de Luz, sem filtros, sem padrões, ainda sem os olhos do mundo exterior. Por mais que tenhas sido influenciado com o que os seres que te geraram viveram durante os teus 9 meses de gestação, ainda és um pequeno ser que emana a Luz da pureza, ingenuidade, humildade e autenticidade.

À medida que começas a crescer, começas também a desenvolver outras camadas influenciadas pelo que é exterior a ti. (Nota: temos o período in print dos 0 aos 7 anos, dos 7 aos 14 a modelagem, dos 14 aos 21 a socialização em geral, e dos 21 aos 27 a socialização no trabalho. Todos estes períodos são importantes e determinantes para o nosso crescimento e desenvolvimento pessoal.)

Conforme os acontecimentos na tua vida e as tuas experiências, crias filtros internos que vão ter influência na maneira como vês e encaras o Mundo. Mascaras muitas vezes o teu Eu superior, o teu Eu verdadeiro, a essência e crias o Eu máscara para alimentar o teu ego face ao que os outros estão à espera de ti, por fim de uma aceitação e medo de exclusão social.

Este EU máscara foi criado porque em criança, principalmente no período in print, foram-te passadas impressões digitais dos teus progenitores (ou cuidadores próximos). E curioso: não só a partir dos 0 anos, mas estas impressões começam também a ser passadas desde a conceção.

O sistema nervoso fetal e infantil possuiu vastas capacidades sensoriais e de aprendizagem e um tipo de memória que os neurocientistas chamam “memória implícita. Estas crianças pequenas e complexas têm uma pré-vida no útero que influencia profundamente a sua saúde e comportamento de longo prazo. A qualidade de vida no útero, a nossa casa temporária antes de nascermos, programa a nossa suscetibilidade a doenças coronárias, enfartes, diabetes, obesidade e uma diversidade de outros distúrbios na vida subsequente (LIPTON, 2015, p. 186).

As crianças observam atentamente o seu ambiente e descarregam diretamente na memória subconsciente o conhecimento do mundo proporcionado pelos pais. Em resultado disso, o comportamento e as crenças dos pais tornam-se as delas.

As influências que emanam do mundo ambiente exercem, portanto, efeitos profundos sobre a organização física e psíquica da criança, efeitos que se farão sentir durante toda a vida futura. Essas influências exteriores abrangem desde o aspeto do quarto, como móveis e adornos, até os pensamentos e sentimentos das pessoas que lidam com a criança. Todo o clima sentimental e moral circundante atuam sobre ela (LANZ, 2003, p. 42).

Não te quero, de todo, dizer que és o culpado do destino dos seres que geraste. Mas tens influência. Assim como os nossos pais tiveram influência em nós. E torna-se como que um ciclo vicioso.

Por isso, note-se que quando queres limpar crenças e padrões do passado é necessário fazeres uma viagem até à casa dos teus progenitores e até quem sabe a outras gerações.

A essência da parentalidade consciente consiste em saber que tanto as mães como os pais têm responsabilidades importantes na criação de filhos saudáveis, inteligentes, produtivos e alegres. Não podemos certamente culparmo-nos a nós mesmos e aos nossos pais pelos fracassos na nossa infância. A ciência manteve a atenção centrada na noção de determinismo genético, deixando-nos na ignorância acerca da influência que as crenças têm nas nossas vidas e, ainda mais importante, de como os nossos comportamentos e atitudes programam as vidas dos nossos filhos (LIPTON, 2015, p. 207).

Então, TUDO COMEÇA E TERMINA EM CADA UM DE NÓS. Independentemente dos valores e crenças que te foram passados, tens uma escolha. És o protagonista da tua vida. E podes fazer a diferença na próxima educação.

Se queres mudar este ciclo vicioso, podes fazê-lo agora:

A Transformação acontece quando tens a coragem de voltar à tua Origem. À tua nudez. À alma Selvagem da tua criança interior. Todos já vimos a vida tal e qual como ela é, sem filtros, aos olhos de uma criança. Todos já fomos uma camada de Luz. E a boa notícia é: essa camada de Luz continua contigo.

 

 

Referências:

LANZ, Rudolf. A pedagogia waldorf: caminho para um ensino mais humano. São Paulo: Ed. Antroposofia, 2003.

LIPTON, H. Bruce. A biologia da Crença: a libertação do poder da consciência, da matéria e dos milagres. Lisboa: Sinais de Fogo – publicações, Lda, 2015.

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Carina