Por vezes perguntam-me como é que tenho tanta coragem para ir ao que me causa dor. Bem, às vezes não sei explicar…[talvez a minha educação salazarista tenha tido influência nisso]. Mas hoje sinto-me a pessoa mais corajosa do Mundo!

Hoje fechei mais um ciclo. Um ciclo que ansiava fechar há 12 anos [como podes ver estamos em constante desenvolvimento pessoal e podemos não ultrapassar tudo de uma vez]. Há aspetos da nossa vida que levam mais tempo, o seu tempo, o teu tempo. E está tudo certo, está mesmo, confia. Não há um tempo certo para ultrapassar a dor e sarar as feridas – desde que tomes a decisão de que queres sair do papel de vítima e ir para o papel de guerreira, o universo encarregar-se-á de te dar as pistas que precisas. Pode levar mais tempo ou não, depende da tua entrega, do teu grau de energia e compromisso.

Sim. Hoje. Passados 12 anos, tive a coragem de ir ao cemitério onde está enterrado o corpo do meu avô, do meu irmão e do meu pai. Três gerações. Os meus 3 pilares masculinos. Não é que o meu amor por eles esteja lá [está para sempre no meu coração], mas foi preciso ir lá para fechar este ciclo e este meu “medo” em entrar num cemitério desde então. Fui, e fi-lo sozinha. Eu e eles. Eu e todas aquelas campas, todas aquelas almas. Chorei. Chorei muito. Falei com eles. Disse o que sentia. Disse o que me veio no momento. Deixei que saísse naturalmente. Libertei.

[como gosto de desafios, fui também à casa que me viu crescer e que tem a memória de gritos e choro em cada parede. Mas já não a senti daquela forma. Pareceu-me serena agora].

Ao longo destes anos, aprendi a crescer sem esta energia masculina, uma vez que a fui perdendo…o que tornou o meu lado yang (masculino) mais forte. Fui quase que obrigada a aprender a fazer tudo sozinha e a ir sempre de “cabeça”, como quem diz agir. E tomei-lhe o gosto [e ainda por cima o Universo mostra-me que consigo fazê-lo].

Mas às vezes dói [porque não tens a quem pedir uma segunda opinião, de quem pode perceber mais do assunto. E foram tantas as vezes que fui enganada – para o meu crescimento, claro, eu sei]. E não deixo de ter saudades deles, sabes? Aliás, tenho tantas saudades…e às vezes apego-me a esse vazio, a essa dor. Mas depois sei que tenho de libertar. Sei que eles não querem isso. Eles querem o que eu estou exatamente a fazer: que apesar do medo, sigo em frente a lutar pelo que me faz feliz! E eu tenho essa missão, a de viver a felicidade que eles não tiveram a coragem ou o tempo de viver. E tenho a missão não só de viver por eles, mas por mim, e pelo bem da humanidade.

E lembra-te que não há mal em mostrares as tuas fraquezas, a tua vulnerabilidade. Esta parte também é quem tu és. É uma das tuas partes que formam o todo. E tu és esse todo, com todas essas fragilidades e forças.  És a sombra e a Luz. És o choro e a gargalhada. Só não te apegues ao que sentes, se faz favor. O primeiro e grande passo é mesmo a consciência que tens do que te acontece, e o como e porquê acontece. Depois começa a ficar mais claro.

Quando o Beninho chegou à minha vida, apeguei-me a ele. Eu sei [e percebi isso quando o perdi]. Senti um amor incondicional. Era como se ele fosse o meu porto de abrigo. E eu queria tê-lo sempre comigo [talvez ele me quisesse mostrar que ninguém pode entrar na tua vida para te preencher os espaços vazios, que tu não podes prender ninguém a ti. Tu deves ser inteira e a outra pessoa apenas vem entrar no espacinho que o teu coração tem sempre a mais, porque é um músculo que pode esticar. Nunca para te tapar buracos].

E quando pensei que já me tinha desapegado de tudo [bens materiais, afinal], percebi que este apego ao vazio do passado ainda estava de certa forma presente. Assim, o Beninho nunca poderia servir de penso rápido. Eu amava-o tanto [e ainda amo] e por isso libertei-o. Esteja onde estiver, doa o que doer, eu desapego-me dele. Ele não é propriedade minha. Fiz o que estava ao meu alcance e agora deixo-o ir, apenas a desejar que esteja bem.

Este exemplo serve igualmente para quando queres ser mãe. Um filho nunca poderá vir para te preencher o vazio. E no meu caso particular, eu quero muito ser mãe. Só que lá no fundo eu sei que ainda não estou preparada. O meu ego diz que sim, mas a minha alma sabe que não. No meu inconsciente, uma cria viria apenas ser um penso rápido nesta fase.  E não seria a hora, por isso é que o meu útero ainda não preparou a casa para a receber. Isto é explicado pelo apego que sempre tive de uma família “perfeita”, pois sabendo o meu ego que nunca a tive na verdade, grita-me que preciso de ser mãe para começar a construí-la.  E sim, com filhos ou sem filhos [bem, na verdade eu quero ter muitos. eheh], com parceiro ou não, a família constrói-se. Mas no tempo certo. No tempo que a constróis com amor, com a certeza que ela se vem juntar a ti, lado a lado e nunca para te acalmar a dor.

Por vezes tens que ir lá bem ao fundo trabalhar questões passadas que podem, ainda, estar a ter alguma influência na forma como estás a viver o teu presente. E o presente é para viver no agora e não com questões por resolver, certo? Comprares um bilhete de ida [e volta] até à tua criança interior pode fazer com que poupes muitas viagens futuras. Então vai e depois volta.

Neste sentido, venho falar-te do desapego e de como fechar ciclos pode ser tão duro, mas tão libertador ao mesmo tempo.

Tu não és o teu passado, tu és o que fazes com ele. Aquela criança que foste já não é quem és agora. O teu passado já não é propriedade tua. A tua relação também não. Os teus filhos muito menos.

Compreende que as circunstâncias mudam. Todas as pessoas crescem e a maioria muda também. Os filhos por sua vez crescem e querem liberdade.

 

O que aprendi e quero que saibas também:

– desapega-te do passado

– desapega-te dessa dor que ainda tens

– desapega-te de bloqueios e crenças limitadoras

– desapega-te da pessoa ou animal que amas

– desapega-te daquela criança indefesa e triste que já não és

– desapega-te do que esperas ser como pessoa

– desapega-te do que esperas ser como mulher

– desapega-te do que esperas ver ao espelho

– desapega-te do que esperas ser como mãe

– desapega-te do que esperas que o teu filho seja

– desapega-te do que os outros possam achar de ti

– desapega-te de pessoas tóxicas

– desapega-te do conforto da estabilidade

– desapega-te do que deve ser certo

– desapega-te do medo da mudança

e principalmente DESAPEGA-TE DE TI: estás sempre em mudança e o que te faz sentido hoje pode não ser o que te faz sentido amanhã. E está tudo certo. Aceita. Deixa fluir. Relaxa e tenta não criar barreiras à mudança.

 

Termino a dizer-te que precisas de fechar um ciclo, ou uma porta, para que outra se abra. Atrevo-me ainda a dizer: precisas de matar o velho, para que o novo tenha espaço para entrar na tua vida. E a boa notícia é que desta vez não vais presa.

Depois de fechares ciclos e começares a desapegar-te do que não te deixa avançar, a magia acontece. Garanto-te. Tornas-te certamente melhor pessoa, melhor familiar, melhor companheira, melhor mulher e melhor mãe.

 

Com Amor,

Carina

4 Comentários

    • Marta P

    Nao consigo arranjar palavras suficientes que façam justiça a um comentário, è com o coração cheio que fico qd leio os posts que escreves. È de verdadeira luz e enche me de esperança e faz me acreditar cada xx mais em mim 💫 muito grata Carina por as tuas partilhas🙏🏻

    23 de Setembro, 2019
      • Carina Palma

      a minha missão é também mostrar a Luz que [também] já tens dentro de ti! ❤

      23 de Setembro, 2019
    • Diana Domingos

    Bemmm, tão poderosas estas palavras Carina! E acertas mesmo em cheio! Ainda ontem a ir buscar o meu filho à escola dei comigo a chorar porque apercebi-me que não queria que os meus filhos vivessem o que vivi em criança. Crescer sem estarem com o pai. E hoje ao ler estas palavras… estou sem palavras mas pronta para fazer essa viagem até ao meu mundo de criança e desapegar-me desse e outros sentimentos que ainda lá e aqui estão e não os passar aos pequenos. Que eles construam a sua história. Obrigada de coração 🙂

    24 de Setembro, 2019
      • Carina Palma

      É mesmo importante que faças as pazes com a tua criança interior,para que ela não entre em conflito com os teus filhos. Coragem. Estamos juntas 💛

      24 de Setembro, 2019

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