“Bebé encontrado no lixo sem roupa nem agasalho”- é este o título da notícia publicada hoje no Diário de Notícias. E eu não consegui ficar indiferente, claro. E por isso hoje volto a escrever.

Quando li estas palavras hoje de manhã, senti o meu coração a correr como se estivesse a fugir de um predador ao mesmo tempo que se desfazia aos bocadinhos. Não quis acreditar. Doeu-me muito, mesmo.

Todos os dias sonho que resgato e ajudo todos os bebés e todas as crianças a terem uma família (não esquecendo os idosos que são abandonados e que também precisam, e muito, mas a minha conexão com os bebés é muito forte). Às vezes também sonho que tenho uma casa grande e adoto todos os que precisam. Para já não tenho como fazê-lo, mas sei que faço alguma diferença no Mundo, nem que seja enviar Amor e Luz.

Conseguem imaginar o que é um bebé a crescer e um dia ouvir estas palavras: “tu foste abandonado por quem te deu a vida e jogado tal como nasceste para dentro de um caixote do lixo à porta de uma discoteca, mais precisamente do Lux.”…“Mas como és um ser inteligente e lutador, tiveste forças para enviar o sinal de que precisavas de ajuda e alguém te encontrou. Foste salvo.”

E foi salvo. Está entregue a uma equipa multidisciplinar de qualidade (e isso eu sei) no Hospital Dona Estefânia. Felizmente poderá (espero) contar esta história com um final Feliz.

Bem, mas sem julgamento (por mais que doa e que apeteça fazer justiça agora), não sabemos a história que está por trás. Quem é a mãe que fez isto? Será que foi mesmo a mãe? Será que roubaram o bebé à mãe e ela não teve escolha? Qual é a história que deu origem? Não sabemos. E como tal o foco agora é garantir que este bebé tenha uma vida segura pela frente. A pessoa que o fez certamente terá o seu karma.

Infelizmente (e não sabemos de todos os casos) existem muitos bebés e crianças a serem abandonados. Mas o ato de abandonar um bebé tem por trás um desequilíbrio emocional e psíquico muito grande. É preciso que a pessoa esteja muito descontrolada e desequilibrada em todas as suas vertentes, para fazer algo assim (eu acho). Mais do que puni-la é tentar ajudá-la a restabelecer-se. Porque ir ao fundo tratar das feridas dói e é mais difícil do que acabar com a vida ou fugir dela.

Nesta linha de ideias, acrescento que trazer uma criança ao Mundo não começa apenas com uma noite esquecida de sexo. Não começa com duas pessoas que se tocam pelo prazer e que pensam com a cabeça ao invés do coração. Não começa com a irresponsabilidade de não pensar nas consequências disso. Começa com um olhar, um beijo, um toque, um pensamento mútuo de responsabilidade e amor de querer gerar uma outra vida. Mas nem sempre é fácil. É preciso estar-se emocionalmente estável.

Mas existem muitas mulheres que são vítimas de abuso sexual. E não só abuso sexual mas também abuso emocional e mental. E reféns disso, têm algumas limitações que as deixam ir na viagem. E às vezes é uma viagem que pode sair cara. A boa notícia é que pode ter uma saída, depende.

Escrevo ainda que é cada vez mais urgente haver uma rede de apoio, a adolescentes, a mulheres, a grávidas…a todas aquelas que se sentem sozinhas e desamparadas e que na verdade não o estão. Só não sabem como fazer e a quem pedir ajuda, pois muitas das vezes têm vergonha, sentem-se esgotadas e sem “chão”. É uma tarefa desafiante, o conseguir chegar a todas essas mulheres, mas felizmente a nossa tribo tende a crescer.

É tão importante que cuidem de vocês antes de qualquer decisão. Arrumar a nossa casa antes de construir o quarto do bebé é o maior ato de amor. Amor a nós e ao ser único que virá. Eu própria tive que fazer esse árduo trabalho. Como já escrevi algumas vezes, o meu desejo de ser mãe começou muito cedo, mas o Universo não deixou que eu o fosse (e ainda bem), porque na verdade eu não estava preparada. O desequilíbrio emocional e dor interna eram muito notórios e por mais que eu quisesse, tenho a certeza que não iria aguentar a viagem. Porque um bebé precisa de atenção e amor. Precisa de conforto e de estabilidade. Precisa de um olhar de confiança que diz “aqui estás seguro, aqui podes ser tu, um bebé único que merece carinho”.

Então, como é que podemos olhar para o nosso bebé dessa forma se primeiro não olharmos para nós? Como é que lhe podemos dar o verdadeiro Amor se não nos amamos? Como é que podemos dar-lhe atenção e disponibilizar-lhe tempo se nos esquecemos de nós?

Nesta minha jornada, a prática da meditação e yoga foram determinantes para a minha cura. Mas claro que fazer uma meditação guiada ou umas posturas físicas não bastam; vai muito mais além disso. É preciso que te entregues e aceites esta cura. E confies. E então surge a magia. Começas a renascer de novo e todas as tuas células ganham uma nova energia, uma nova vida.

Sempre gostei de ajudar desde criança (acho que a energia de cuidadora/curadora corre-me nas veias desde sempre) e como tal, quando percebi a forma como me podia ajudar a mim, percebi também que podia ajudar as outras pessoas que estão a passar por desequilíbrios tal como eu passei. Desta forma, quero disponibilizar a todas as pessoas que sentirem que este também é o caminho, sessões de Yoga Terapêutico e holístico, e, portanto, focado na pessoa como um todo.

Sente-te à vontade em contactar-me. Está na hora de cuidar[-nos] !

Com Amor,

Carina

2 Comentários

    • Liliana

    Bom dia.
    Concordo plenamente consigo. Passei por uma situação um pouco difícil depois do nascimento do meu filho, e são coisas, sentimentos… que não se conseguem explicar. Por isso a lição que aprendi com a minha situação foi não julgar sem saber primeiro o que aconteceu e fico com o coração apertado porque existem mães que estão a sofrer e nós julgamos-as sem a oportunidade de se defenderem. Força para esses bebés heróis. <3

    7 de Novembro, 2019
      • Carina Palma

      💛🙏

      7 de Novembro, 2019

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Carina