A vida é agridoce, o Amor pode ser polémico e tudo gira à volta dos relacionamentos.

Quer queiras ou não, és obrigado a relacionar-te. Nem que seja contigo próprio.

Quando nasces aprendes a comunicar com os teus pais ou cuidadores. No infantário, creche ou noutro local de convívio e aprendizagem, deparas-te com outros seres iguais a ti e que curiosamente falam a mesma linguagem que tu, embora nem sempre os entendas. Cresces e o primeiro ciclo torna-se o ensino preparatório e daí para a frente mais exigente.

O nível de aprendizagem nos relacionamentos é idêntico ao grau académico, sendo que podes ficar pelo ensino básico, completar a licenciatura ou até mesmo partires à aventura e descoberta do doutoramento.

A primeira escola que tens é antes sequer de estares no plano térreo. Sim, existe uma escola antes de nasceres. O útero da tua mãe. A intenção da tua mãe e, na verdade, do teu pai também, quando pensaram em conceber-te.

No útero são-te enviadas as primeiras mensagens e informações importantes para que definas a tua personalidade. O bebé in útero é dotado de sensibilidade, memória e consciência. É durante os nove meses que decorrem entre a conceção e o nascimento que moldas a tua personalidade, os teus impulsos e as tuas tendências de uma forma muita importante e significativa. Dependendo sempre da intenção, vínculo e comunicação mãe-filho que foi estabelecido, tendo em conta vários fatores influenciadores. E aqui entra a necessidade, cada vez maior, da existência de um suporte e segurança emocional para a mulher grávida que se encontra vulnerável. Assim como também, a importância de valorizar o papel do pai na gravidez.

Portanto, a forma como te vais relacionar após o nascimento é influenciada pelos estímulos e códigos genéticos e emocionais que te foram passados bem antes de nasceres. E isto está cientificamente comprovado[1].

A verdade é que os relacionamentos podem tornar-se num grande desafio, uma vez que quem está à tua frente não frequentou a mesma escola primal que tu.  E mais do que isso, cada experiência é vivida e sentida de forma diferente e em cada nascimento de um bebé, nasce também uma nova mulher e isso responde à pergunta que possas estar a ter: “e o meu irmão que nasceu da mesma mãe que eu? É totalmente diferente de mim em termos de personalidade”. Pois, claro que é diferente. As informações que recebeu não foram as mesmas que tu recebeste. Porque o ser humano está em constante mudança e evolução. E até há quem acredite, e isto já pode ser provado, que cada alma escolhe o corpo físico para ganhar vida, consoante aquilo que ainda tem para aprender. Melhor dizendo, os filhos escolhem os pais que precisam de ter, para evolução daquela alma na terra.

Na verdade, o filho é perfeito para aqueles pais e os pais são perfeitos para aquele filho. Contudo, nem sempre é claro que este tipo de relacionamento é propositado para que aprendas o que tens a aprender. É isso, vens a este Mundo para aprender alguma coisa, não só sobre os outros, mas principalmente sobre ti, senão que piada tinha apenas viver?

Os grandes desafios com os pais começam quando eles te mostram e acentuam as feridas que te foram marcadas ao longo do útero, no parto ou na infância por algum momento traumática que talvez nem te lembres.

É importante que quando surgirem as dúvidas sobre de tudo e todos, sobre ti e sobre o porquê do que te está a acontecer, comeces a investigar. Sê investigador da tua própria história. Do teu nascimento, da tua infância. Há sempre algum momento que te marcou e ficou inconscientemente registado do teu ADN[2] e consequentemente passa para o teu corpo físico. Acontece quando estás stressado por exemplo e sentes tensão muscular, diarreias ou dores de estômago. A isto chama-se psicossomatismo[3].

Por exemplo a ansiedade reflete tensões no chacra[4] raiz (o primeiro chacra, a base, a sustentação), localizado na base da coluna que alimenta as glândulas suprarrenais. Vê o que se estava a passar na tua vida quando essa ansiedade começou, nomeadamente nas áreas do dinheiro, casa, trabalho, mãe. Que situação foi essa que reagiste com insegurança ou medo e que continua por resolver, tendo-se tornado filtro de perceção que faz com que vejas as coisas com medo?

Outro exemplo é a diarreia que é a passagem frequente de fezes moles e aguadas, com ou sem inchaço, pressão e dor. Reflete também tensão no chacra raiz e insegurança ou medo como filtro de perceção.

Um último exemplo são as aftas. A úlcera aftosa, ou afta, apresenta-se como uma ferida dolorosa dentro da boca ou na parte superior da garganta e caracteriza-se pelo rompimento da membrana mucosa. Não é considerada contagiosa. Está associada à raiva, e o facto de afetar a boca e garganta quer dizer raiva não expressada e, consequentemente, tensão do chacra da garganta. Mas também pode ser vista como quereres manter as pessoas à distância. Tens tendência a isolares-te, dando-te a ti próprio motivos para evitar o contacto social ou sexual.

Uma mudança de consciência produz uma mudança no campo de energia. Uma mudança no campo de energia dá-se antes de uma mudança no corpo físico. A direção da manifestação parte da consciência, atravessa o campo energético e chega finalmente ao corpo físico.

Sê então investigador da tua própria história, para seres o teu melhor amigo. Para te conheceres no intuito de te ajudares. Ajudares a tua alma a evoluir. Viveres em equilíbrio e paz contigo e consequentemente com quem te rodeia, no meio ambiente que estás inserido.

É sempre tão fácil investires tanta energia e dinheiro em cursos superiores que te permitem ter a profissão que queres, ou talvez a que os teus pais querem para ti, que depois te esqueces do mais importante. E quando chega a altura da exaustão emocional, do desequilíbrio e das dúvidas existenciais, procuras ajuda no que te é externo, porque não é confortável para ti embarcar nesta viagem de autoconhecimento pelas tuas próprias mãos. E sim, é importante que permitas receber ajuda, contudo é simplesmente uma orientação, pois a verdadeira resposta és sempre tu que a tens. Então, reflete durante alguns segundos pelos menos sobre a importância de investires num curso profissional sobre como te conheceres e nutrires a ti próprio, já que a resposta está perdida algumas dentro do teu coração. Da mesma forma que não nasces a saber ler, e aprendes, podes também aprender sobre te relacionares contigo, já que és a pessoa com quem passas vinte e quatro horas por mim.

É curioso, não é? Passas todo o tempo contigo, tens de te aturar a cada segundo da tua respiração e às vezes conheces melhor a pessoa que está ao teu aldo do que a ti próprio. E mais, por vezes, essa pessoa que está ao teu lado sabe mais de ti do que tu possas ou permitas saber.

Quando questiono as minhas clientes com a pergunta: Quem és tu? existe todo um jogo de cintura por trás. Eu sou a Ana (nome fictício) e sou professora, trabalho na escola de Lisboa. Está bem, obrigada. Mas, agora responde-me então à questão que te fiz, quem é a Ana? Quem és para além do que fazes? Quem és enquanto ser? Então, eu sou…eu sou…ups, não sei quem sou. E as lágrimas correm. Esta torna-se a pergunta mais assustadora.

Quem és tu? Tens a coragem de te conhecer? Sabes quem és e o que estás aqui a fazer? No meio disto tudo, o que é que realmente importa? O que é que realmente te faz Feliz e te dá prazer? Que máscara usas para viver no teu dia a dia e encarar as pessoas? É a tua própria máscara ou é de quem querias ser? O que andas aqui a fazer? Vives para ti ou vives para o que os outros querem? És uma imagem de ti ou um espelho dos outros?

Quem és tu? Esta é a pergunta que te faço. Pode doer, sim. Mas abre caminhos.

Não há respostas certas, nem erradas. Ninguém te está a ver, muito menos a julgar. Então, abre o teu coração e escreve o que ele te diz.

 

Sugestão de exercícios:

 

  1. Quem sou eu enquanto pessoa? (esquece a tua profissão; é quem tu és quando vieste ao mundo)

 

  1. Estou a ser quem eu quero ser?

 

Nesta linha de sentido, só podes conhecer bem e relacionar-te de forma equilibrada com o outro quando o fazes contigo. É assim que funciona.

 

Com Amor,
Carina

_______________

[1] Sugestão de leitura: A vida secreta da criança no útero de Thomas Verne e John Kelly.
[2] Ácido desoxirribonucleico, ou seja, uma molécula de dupla hélice, que contém informação única e está presente em todas as células do teu corpo.
[3] Tudo indica que o sintoma físico está a ser causado por um distúrbio emocional e/ou psicológico.
[4] Chacra é uma palavra em sânscrito que quer dizer roda, ou vórtice, e refere-se a cada um dos sete centros de energia que compõem a tua consciência, o teu sistema energético. Funcionam como bombas ou válvulas, regulando a energia através desse sistema. O funcionamento dos chacras reflete as decisões que tomas em relação a como escolhes percecionar e responder às circunstâncias da tua vida.

2 Comentários

    • Duarte Coelho

    Muito bom, parabéns pelo texto. Boa continuação de exploração do Ser.

    5 de Março, 2020
      • Carina Palma

      Muito grata pelo teu feedback! um beijinho

      5 de Março, 2020

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