Liberdade. Amor. (des)Apego.

A tríade da libertação.

O amor é livre. O livre é amor.

Quem ama não acorrenta. Ama e deixa voar.

Liberdade é apenas outra palavra para…AMOR.

Em termos filosóficos, Liberdade é a capacidade própria do ser humano de escolher de forma autónoma, segundo motivos definidos pela sua consciência.

Amor é definido como um sentimento que predispõe a desejar o bem de alguém. Induz a aproximara proteger ou a conservar a pessoa pela qual se sente afeição ou atração.

Segundo o dicionário, a palavra Apego significa sentimento de afeição, de simpatia ou afeto por alguém ou alguma coisa. Também pode ser uma espécie de dependência, um vício, uma compulsão a algo ou alguém.

Numa perspetiva crítico-reflexiva, o termo apego é visto como dependência. Durante uma parte da vida, dependes dos teus pais para sobreviver, e é criado um laço de dependência. Mas, em grande parte, esse laço de dependência em vez de ser “afrouxado” ao longo dos anos, passa a ser reforçado pela educação familiar. Então, os membros do núcleo familiar reforçam a ideia que apego é sinónimo de Amor.Então, o apego pode ser saudável ou não. O apego “menos saudável” está relacionado com as coisas que não te fazem feliz, como uma recordação triste, uma dor constante ou algum objeto que já não usas e, por algum motivo, não te consegues desapegar dele. O apego “saudável” diz respeito ao carinho e afeto que tens por alguma pessoa, animal, um objeto com muito valor para ti ou até a um desporto ou atividade que te dê muito prazer.

Já o apego exagerado pode levar a vários desequilíbrios físicos e emocionais como a ansiedade, a fobia, o medo e a depressão. O apego excessivo a alguém, por exemplo, provoca sentimentos de possessividade, ciúme, raiva, desconfiança e medo da perda.

O que acontece é que sempre que dás algo ao outro e que lhe dedicas tempo, esperas algo em troca. Existe uma expetativa de retorno por trás da ação. Então, queres fazer algo pelo outro, não por amor (generosidade), mas sim pelo sentido que serás compensada. Isto pode fazer com que o outro fique teu refém emocional, pelo teu pequeno e talvez inconsciente egoísmo.

Às é normal que não percebas que o fazes, porque é um processo inconsciente, é “culturalmente normal”. Acreditas que por amar o outro, ele deve corresponder às tuas expetativas e pronto.

Sim, claro que se tratas bem o outro, dedicas-lhe tempo, tens respeito por ele, queres que essa relação continue e queres também receber da parte dele. Só que o que acontece é que por vezes esperas demais do outro. Crias expectativas. Às vezes fazes “demais” e “esperas demais”; fazes mais do que aquilo que ele te pede, esquecendo-te de lhe perguntar se ele realmente quer receber ou não ou se tem a capacidade de te dar da mesma forma que lhe deste. E noutras vezes “dás pouco” e “esperas muito”. Então, deve haver um equilíbrio entre o dar e receber, sem expectativas, sem dependências e com comunicação.

Acrescentando que muitas vezes o que te cria dependência (a maior parte das vezes emocional) é o pensar que encontras no outro a resolução do teu desequilíbrio. Do vazio que sentes. Da tua carência estrutural. Mas o outro nunca pode preencher um vazio que só pode ser preenchido por ti. Ele só pode complementar, nunca preencher.

E isto serve tanto para as relações amorosas como para as relações familiares, com animais e com objetos.

Desapego não é deixares de amar alguém ou deixares alguma coisa que precisas muito. Desapego é aprender a ser livre, a não controlar o que não pode ou deve ser controlado, a aceitar o outro como ele é (assim como as coisas como elas são) não querendo que ele se molde ao que tu própria queres. O outro não é propriedade tua. É propriedade dele. Assim como tu não és propriedade dele, és tua. Também não gostavas de ser controlada, certo?

Desapegar ensina-te a respeitar todo o espaço que envolve o outro, físico, emocional, espiritual, mental, psicológico… entendendo-o como um ser único, com uma história de vida diferente da tua e com perceções da vida que podem ser diferentes da tua, tendo em conta as aprendizagens que teve até aqui.

Nada nem ninguém é obrigado a nada neste mundo. Toda a gente tem uma opção de escolha. Tudo é a tua escolha. Claro que sabendo que pode haver consequências e que deves estar alerta para o que fazer nesse caso. Então ninguém é obrigado a amar-te e a corresponder na mesma medida. Porque cada um tem a sua forma de viver, amar, ser livre e feliz. Mas, por mais que a forma de viver seja diferente, podes sempre encontrar pontos que nos liguem, que aprendam juntos. É assim que aprendes a gostar e interagir com diferença (sem expetativas, sem desilusões. É o que é), sem julgamentos.

Amar sem prender. Amar sem controlar. Amar sem medo. Amar sem julgamento. Amar sem desconfiança. Amar sem dúvidas. Amar sem imposições nem obrigações. Amar sem expectativas.

 O Amor confia.

O Amor dá espaço.

O Amor dá liberdade e é liberdade.

O Amor cuida, mas não é obcecado. Não controla. Não manipula.

O Amor protege, mas deixa respirar. O Amor percebe que há espaço e tempo a respeitar. Que há sentimentos. Que há diferenças.

O Amor sabe o que é medo e sabe o que é apego. O Amor sabe.

O Amor sabe o que é carinho e conforto extra e o que é necessidade. O Amor sabe.

O Amor sabe que a tua liberdade termina onde começa a liberdade do outro.

O Amor sabe que tudo o que fazes ao outro, estás a fazer a ti.

O Amor sabe que não há jogo de culpa. O Amor sabe que existem histórias. Espelhos que se refletem.

O Amor sabe que quando prendes o outro, estás também a prender-te a ti (porque a tua mente não descansa com o medo “e se…?”).

O Amor sabe que quando magoas o outro, magoas-te também a ti.

O Amor sabe que quando não confias não és livre. És preocupada. Tens macaquinhos da cabeça.

O Amor sabe que o outro já tinha amizades antes de nós. E que pode continuar a tê-las, com respeito, verdade e confiança.

O Amor sabe que quando controlas ficas presa. E quando ficas presa e prendes, gera confusão. Mágoa. Ressentimento. Culpa.

O Amor não é egoísmo, não é insegurança. Nem controlo e nem dependência. Muito menos anulação da essência de cada um.

O Amor não molda. Não exige. Não cria expetativas.

O Amor não obriga o outro a fazer o que eu quero só para me agradar. O Amor respeita o que o outro quer fazer e encontra soluções em que ambos ficam a ganhar. O Amor sabe, portanto, a diferença entre egoísta e autocentrada. Entre egoísmo e independência.

O Amor não corta a leveza, a vontade e espontaneidade do outro.

O Amor não tem medo de perder. O Amor sabe que volta se tiver que voltar.

O Amor é incondicional, nunca condicional.

O Amor é autorresponsabilidade. É verdade. É parceria.

No Amor, o verdadeiro, há a união de duas partes que já estão completas. Tudo o que um faz vais afetar os dois. Se deixas ser livre, serás livre também. Se dás asas para voar, voarás também.

O Amor a dois, é primeiro um Amor a um. Ama-te e respeita-te em primeiro lugar. Depois amarás e respeitarás o outro. E se ele não souber, ensina-o e dá-lhe asas para que possa aprender.

Vive a vida que queres viver. Para permitires que o outro viva essa mesma vida da mesma forma que tu. Livre. Sê verdade para permitires que o outro também o seja. Verdade. Sê e dá coração. Receberás de volta.

O Amor é tudo e Tudo é Amor.

 

Enquanto não atravessarmos a dor da nossa própria solidão, continuaremos a buscar-nos noutras metades. Para viver a dois, antes, é necessário ser um.

Fernando Pessoa

 

Com Amor,
Carina

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Carina